Em alguns países, casas noturnas estão passando por um momento de tensão por motivos como aumento de custos, especulação imobiliária e dificuldade para vender ingressos, o que leva a alguns locais – por vezes históricos – ao fechamento.
Alemanha e Inglaterra possuem duas cenas referência na história clubber e muitas casas tradicionais tem fechado nos últimos anos por diferentes fatores. A fim de preservar a cultura e proteger os clubes, medidas estão sendo tomadas.
Alemanha
Sonho de consumo de todo fã da música eletrônica, a Alemanha está com um planejamento de transformar as casas noturnas em instituições culturais, o que lhes daria mais segurança contra despejos e reurbanização.
A legislação aprovada pelo gabinete federal alemão passaria a classificar estes locais como estabelecimentos que geram valor cultural e artístico. Hoje, estão agrupados na mesma prateleira de empresas de entretenimento adulto, como cassinos, casas de strip-tease e bordéis.
Dessa maneira, os clubes alemães ficam mais seguros em relação a especulações imobiliárias, incorporadoras imobiliárias predatórias e ganham flexibilidade para operar em locais mistos e residenciais.
A medida chega em um momento de incertezas nos produtores locais após o encerramento das atividades de estabelecimentos tradicionais como Watergate, Renate e SchwuZ.
Inglaterra
Outra cena icônica na história da dance music com contribuições de extrema relevância para o desenvolvimento da cultura clubber, a Inglaterra tem sofrido ainda mais nos últimos anos, especialmente no pós-pandemia, com a crise nas casas noturnas e pubs.
Observando a movimentação alemã de proteção aos clubes, a Associação das Indústrias Noturnas (NTIA, na sigla em inglês) publicou uma carta aberta pedindo ao governo do Reino Unido que reconheça as casas noturnas como instituições culturais.
A NTIA busca, assim como na Alemanha, maior segurança para quem continua operando. Além disso, existe o medo de a cena inglesa ficar para trás em relação a outros centros europeus neste quesito, o que prejudica os empresários e artistas locais.
Em um comunicado, o CEO da NTIA, Michael Kill, disse: “O Reino Unido tem sido um líder global na cultura clubber por décadas. Do acid house e da cultura rave ao jungle, drum & bass, UK garage, techno e inúmeros outros movimentos, os clubes britânicos ajudaram a moldar a música e a cultura jovem em todo o mundo.
“Apesar dessa contribuição extraordinária, os espaços que tornam essa cultura possível continuam a desaparecer a um ritmo alarmante. A decisão da Alemanha de reconhecer formalmente os clubes como instituições culturais demonstra a visão e a compreensão necessárias para proteger esses espaços vitais. O Reino Unido não deve ficar para trás em uma questão que ajudou a definir”, finaliza.
A carta aberta na íntegra foi enviada ao Primeiro-Ministro e ao Secretário de Estado da Cultura, Mídia e Esporte, e será disponibilizada ao público em breve.
Por Adriano Canestri
